segunda-feira, 6 de outubro de 2008

1.3.4. A contestação e a arte

Nas artes plásticas também era possível observar a reformulação de valores e, principalmente do conceito de arte. A pop art norte americana – influenciada pelas obras de Marcel Duchamp nos anos 30 e simbolizada principalmente nas obras do artista Andy Wahrol em 50/60 – se apropriava de temáticas do cotidiano para criticar o “American Way of Life”. A simbologia de produtos do mercado publicitário americano era utilizado como tema da obra, reafirmando que a arte deixava de lado a abstração para assumir um caráter mais figurativo, a fim de provocar uma sociedade cada vez mais guiada pelos padrões de consumo capitalistas. Embora não se caracterizasse como um movimento contracultural, a pop art influenciou questionamentos e experimentações estéticas, como no movimento Nova Objetividade Brasileira, cujo precursor Hélio Oiticica foi uma das figuras mais importantes da vanguarda das artes plásticas e da contracultura brasileira na época.

No Brasil, o teatro também assumiu um importante papel na manifestação artística contracultural que se manteve conectada com as tendências internacionais. O experimentalismo do Living Theatre e o teatro anárquico e político do Oficina de José Celso Martinez Correa – que mantinham permanete intercâmbio e influência um no outro - foram revolucionários no sentido de alterar a relação entre o palco e a platéia, entre os textos e os atores e a direção do espetáculo.

Separados por significativas diferenças no contexto político e cultural dos dois países, estes movimentos tiveram papel fundamental no questionamento do estatuto de arte, do papel do artista e da relação entre a obra e o público. A arte a a cultura serão no Brasil o principal canal de discussão – e articulação - política daquela época, como veremos a seguir.

Um comentário:

André Vieira disse...

Muito boa essa contextualização passada até aqui... é fundamental conhecer as etapas vividas pelos movimentos culturais para ter noção do que é produzido hoje... não no sentido de comparar por comparar, mas observar a (r)evolução que podemos fazer e a destruição dos legados culturais que a cultura de massa provoca.